Agora estou em www.thereisalightnevergoesout.blogspot.com.
Ainda a construir.
Abraço
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Até já
Em breve vou renascer noutro lugar.
Fiquem atentos. Nunca quis decepcionar ninguém, nem tão pouco magoar.
Abraços amigos.
Fiquem atentos. Nunca quis decepcionar ninguém, nem tão pouco magoar.
Abraços amigos.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Fim - O último fim

Olá a todos.
Obrigado por terem seguido este blogue. Obrigado por terem escrito mensagens, obrigado por terem andado por aqui. Mas o que tornou possível este blogue, também o acabou por matar.
Talvez venha a escrever outras coisas em breve. Tenho vontade, mas não tenho motivação, nem alegria. É só.
Amanhã completa-se um ano de blogue. Poder-se-ia ter chamado os meus últimos 365 dias, mas foram 416.
Acho que nos vamos encontrar por aí.
Quem me dera que este blogue fosse a a minha pátria.
sábado, 20 de junho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Telefone
à espera que o telefone toque.
Por favor, dá-lhe um toque, apenas um .......
Por favor, dá-lhe um toque, apenas um .......
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quinta-feira, 18 de junho de 2009
Amor que morre!
Amor que morre
O nosso amor morreu... Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!
Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...
Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos para partir.
E bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
De outro amor impossível que há-de vir!
O nosso amor morreu... Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!
Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...
Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos para partir.
E bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
De outro amor impossível que há-de vir!
Florbela Espanca
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domingo, 14 de junho de 2009
Glastonbury - O cartaz final

O Festival Glastonbury está a chegar.
O magnifíco cartaz que se segue só coloca a dúvida. Como ver tudo isto? Como escolher aquilo que se quer ver?
A difícil escolha aqui.
Silversun Pickups - Panic Switch
Silversun Pickups - dia 9 de Julho no Optimus Alive
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quinta-feira, 28 de maio de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
A Playlist do Tojó (Gonçalves da Cunha)
- Doors - Crystal ship
- Duran Duran - Save a prayer
- Echo & Bunnymen - Thorn of crowns
- Fernando Tordo - Tourada
- James - Sit Down
- Pixies - Veloria
- Pogues - A pair of brown eyes
- Primal Sceam - Higher than the sun
- Stone Roses - Shoot You down
- U2 - Sunday bloody sunday
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A Playlist do Tubarão ( R. Alexandre)
· Simple Minds – Don’t you (forget about me)
· Meat Loaf - I will do anything for love
· INXS - baby don’t cry
· Wham - Last Christmas
· George Michael – Careless Whisper
· Aerosmith - I don’t wanna miss a thing
· U2 - With or without you
·
· Midge Ure - Breathe
· Juve Leo - Só eu Sei
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Golpes - Cruz Vermelha sobre fundo branco
A crítica a "Cruz Vermelha sobre fundo branco" dos Golpes.
No discodigital.
No discodigital.
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quarta-feira, 20 de maio de 2009
O regresso dos Blind Zero

Regressam os Blind Zero este ano com Luna Park.
Já roda em destaque nas rádios o novo tema Slow time Love.
Ficamos a aguardar o álbum.
http://www.blindzero.net/
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Manic Street Preachers - Jackie Collins Existential Question Time
O regresso dos Manic.
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Manic Street Preachers
sábado, 2 de maio de 2009
A Playlist da Castanha ( M. Maria)
- Abelha Maia – Maria Fernanda de Sousa
- Big my secret – Michael Nyman
- Your latest trick – Dire Straits
- ACDC – Highway to hell
- Black – Pearl Jam
- My way - Frank Sinatra
- Sometimes – James
- I wanna be adored – Stone Roses
- Who’s gonna ride your wild horses – U2
- Here comes your man - Pixies
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quarta-feira, 29 de abril de 2009
Sexta-feira há Playlist
Na próxima sexta-feira inicia-se aqui a publicação das músicas que marcaram uma vida para um amigo.
É uma forma de expressão musical dos ritmos e das memórias da nossa vida.
Aqui no meu blogue.
É uma forma de expressão musical dos ritmos e das memórias da nossa vida.
Aqui no meu blogue.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Brevemente neste blogue - Playlist
A playlist dos meus amigos. A ideia consiste em colocar aqui em forma de post as músicas que marcaram a vida dos meus amigos e amigas.
Uma escolha seleccionada de 10 temas, que fazem arte do passado e do presente das nossas vidas.
Em breve.
Uma escolha seleccionada de 10 temas, que fazem arte do passado e do presente das nossas vidas.
Em breve.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Continuo fascinado ......
Tenho ouvido em repeat no carro, o disco dos Glasvegas. Ando assombrado e acho que é um grande disco.
A crítica do Cotonete.
E mais uns cheirinhos .......
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The pains of being pure at heart
Um ar fresco e jovem. Uma pop simples e ternurenta.A ouvir com atenção.
the pains of being pure at heart
the pains of being pure at heart
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quarta-feira, 22 de abril de 2009
domingo, 19 de abril de 2009
The Hazards of Love 1 - The Decemberists
Um disco notável para o ano de 2009. Um disco conceptual dos The Decemberists.
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sábado, 11 de abril de 2009
terça-feira, 7 de abril de 2009
The Killers - Mr. Brightside
The Killers - Mr. Brightside - Glastonbury Festival 2004
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sábado, 4 de abril de 2009

A crítica ao novo disco de P.J.Harvey e John Parish - " A Women a Man walked by".
Na revista Ipsilon do jornal "Publico".
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Exposição FNAC - Simona Ghizzoni

Muito interessante a exposição da Italiana Simona Ghizzoni - Scars.Sarajevo (1926-2006), na Fnac até 3 de Junho de 2009.
Simona nasceu em 1977 e é natural de Reggio Emilia. Após ter concluído os estudos clássicos diplomou-se no Instituto Superior de Fotografia e Artes Visuais de Pádua. Actualmente é laureanda no Dams de Bolonha com uma tese sobre História da Fotografia Psiquiátrica. Colabora desde 2003 com a Toscana Photographic Workshop, onde teve a oportunidade de trabalhar ao lado de vários fotógrafos. Desde 2006 é parte de Reflexions-masterclass, realizado por Giorgia Fiorio e Gabriel Bauret, dedicando-se a projectos de pesquisa pessoal. Actualmente vive e trabalha em Bolonha.
Desde 2007 faz parte da Agenzia Contrasto. Em 2008 ganha o World Press Photo.
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Doves - Kingdom of rust

Os Doves surgem em 2009, com um excelente disco " Kingdom of rust".
Na senda do que nos habituaram mas com uma nova roupagem.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Uma recordação
Au Revoir Simone - Festival Paredes de Coura 2008
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Pulp - Glastonbury 1995
Saudades dos Pulp!
Saudades de "Common People"!
Saudades de Glastonbury!
Saudades de "Common People"!
Saudades de Glastonbury!
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Glastonbury - primeiros nomes
A organização do Festival de Glastonbury, apresentou os primeiros nomes do cartaz deste ano.
A saber:
Blur
Bruce Springsteen
Bon Iver
Crosby Stills and Nash
Dj Yoda
Doves
Emiliana Torrini
Fleet Foxes
Florence and The Machine
Franz Ferdinand
Lily Allen
Madness
Major Major
Neil Young
Rolf Harris
A saber:
Blur
Bruce Springsteen
Bon Iver
Crosby Stills and Nash
Dj Yoda
Doves
Emiliana Torrini
Fleet Foxes
Florence and The Machine
Franz Ferdinand
Lily Allen
Madness
Major Major
Neil Young
Rolf Harris
domingo, 29 de março de 2009
Músicas da minha vida (9)
The Church - Under the Milky Way
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domingo, 22 de março de 2009
To lose my life - Lyric
HE SAID TO LOSE MY LIFE OR LOSE MY LOVE,
THAT'S THE NIGHTMARE I'VE BEEN RUNNING FROM,
SO LET ME HOLD YOU IN MY ARMS A WHILE,
I WAS ALWAYS CARELESS AS A CHILD,
AND THERE'S A PART OF ME THAT STILL BELIEVES,
MY SOUL WILL SOAR ABOVE THE TREES,
BUT A DESPERATE FEAR FLOWS THROUGH MY BLOOD,
THAT OUR DEAD LOVE IS BURIED BENEATH THE MUD,
LET'S GROW OLD TOGETHER,
AND DIE AT THE SAME TIME,
I SAID 'I'VE GOT NO TIME, I HAVE TO GO'
AND I WAS MORE RIGHT THAN I WILL EVER KNOW,
HE SAID 'MY HEART IS FATE' WELL MINE'S REGRET,
AND LEFT HIM CRYING NEXT TO THE CHAPEL STEPS,
LET'S GROW OLD TOGETHER,
AND DIE AT THE SAME TIME.
Redescobrir os The The
Lembro-me perfeitamente do meu primeiro concerto internacional há 20 anos atrás.
The The no Coliseu de Lisboa, com Johnny Marr (Smiths) na guitarra, e o estilo inconfundível de Matt Johnson. Foi em 1989. Tive imenso prazer em "resgatar" uma gravação de 1990 na Royal Albert Hall, num blogue argentino de Bootlegs.
Fiquei cheio de saudades.
sexta-feira, 20 de março de 2009
quarta-feira, 18 de março de 2009
Dia do Pai

Amanhã é dia do Pai. É dia de Matilde. É o teu dia. O nosso dia, o dia em que alimentamos a nossa amizade, a nossa cumplicidade.
É só nosso. Meu e teu. Pai e filha.
Para sempre és minha.
É só nosso. Meu e teu. Pai e filha.
Para sempre és minha.
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O que acontece
O que acontece quando ficamos bloqueados? Ficamos parados, especados, sem saber o que fazer.
O que fazemos quando nos roubam a liberdade? Ficamos prisioneiros, impedidos.
O que fazemos quando nos tratam mal? Ficamos mal, tristes.
Não fazemos nada. O tempo dá cabo deles, dizia alguém entendido na matéria.
Espero que o tempo lhes dê tempo para se redimirem. E rapidamente voltarem a um estado normal. Só isso. E não é pouco.
O que fazemos quando nos roubam a liberdade? Ficamos prisioneiros, impedidos.
O que fazemos quando nos tratam mal? Ficamos mal, tristes.
Não fazemos nada. O tempo dá cabo deles, dizia alguém entendido na matéria.
Espero que o tempo lhes dê tempo para se redimirem. E rapidamente voltarem a um estado normal. Só isso. E não é pouco.
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terça-feira, 17 de março de 2009
Eles estão de volta ......
Os jornais ingleses dão como certo o regresso dos "4 magníficos" Stone Roses, para uma tournée em Inglaterra e que pode incluir uma data extra num festival nos Estados Unidos.
Serve a reunião para alimentar os corações, e para nos dar alegria que bem necessitamos.
Eu fico absorvido, e aguardo novidades, entretanto na última edição da britânica Q, há uma excelente reportagem sobre os 4.
Ficamos em espera. I wanna be adored ....
Serve a reunião para alimentar os corações, e para nos dar alegria que bem necessitamos.
Eu fico absorvido, e aguardo novidades, entretanto na última edição da britânica Q, há uma excelente reportagem sobre os 4.
Ficamos em espera. I wanna be adored ....
sábado, 7 de março de 2009
Outro Regresso
Quem está de regresso de novo são os Klaxons.
No Optimus Alive deste ano.
No Optimus Alive deste ano.
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A vida - Florbela Espanca
A vida
É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!
Todos somos no mundo,
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!
A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...
Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!
É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!
Todos somos no mundo,
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!
A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...
Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!
segunda-feira, 2 de março de 2009
Musicas da minha vida (7)
The Cure - Boys don´t cry
Uma canção intemporal.
Uma canção intemporal.
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domingo, 1 de março de 2009
Uma música para mim
Hoje completo 37 anos verdes e às vezes amargos.
Aqui fala-se de acreditar, de esperança entre outras.
Aqui fala-se de acreditar, de esperança entre outras.
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sábado, 28 de fevereiro de 2009
Alice et June - Indochine
Um tema mágico dos Indochine em prestação ao vivo.
Don´t go away.
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Absolutamente fantástico
Teaser de apresentação do concerto do 30º aniversário dos franceses Indochine em 2010.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Years of Refusal - Morrissey - Crítica "Y" - Jornal Público
A propósito do último album de Morrissey, deixo aqui a crítica do suplemento "Y" do "Jornal Público", escrita por Pedro Rios.
Com temas que bebem da energia do punk rock e bizarrias aqui e ali, o nono álbum de estúdio de Morrissey está entre os seus melhores a solo
A carreira de Morrissey chegou a um ponto em que se avolumam os que vêem nele uma repetição de clichés. Para muitos, já foi atingido o ponto de saturação e Morrissey é hoje uma caricatura. A confusão entre a sua obra e a projecção de um imaginário em torno da sua pessoa, situação que ele estimula desde o tempo dos Smiths, tem este lado perverso, sobretudo quando falamos de uma personagem que regressa constantemente aos mesmos temas. Ora, este estado de coisas é injusto para Morrissey, que nos últimos anos tem operado uma reabilitação estética interessante e que tem neste novo álbum um passo vigoroso.
Miséria, incompreensão e afastamento continuam a ser assuntos abordados, mas o veículo com que canta os temas de sempre é diferente.
Em "Years of Refusal", sucessor de "Ringleader of Tormentors" (2006), encontramos um cantor, nas vésperas de fazer 50 anos, encantado com a energia rock da banda que o acompanha, a lembrar o efeito que a recuperação das raízes rockabilly tiveram em "Your Arsenal" (1992). Tal como em "You Are The Quarry" (2004), o primeiro disco da actual fase dinâmica de Morrissey, a produção coube a Jerry Finn (que morreria em Agosto, depois de produzir o álbum), conhecido pelos trabalhos com bandas pop-punk como Green Day e Offspring.
Logo a abrir, "Something is squeezing my skull" tem ares de canção dos Ramones e, sintomaticamente, dura apenas dois minutos e meio. A toada punk rock casa estranhamente bem com a imagem de "outsider" que guardamos de Morrissey - sorrimos quando ele atira "There is no love in modern life". Não é caso único no disco: em "All you need is me", todo ela guitarras distorcidas e baixo sujo, há até um momento dos "riff" inicial que parece decalcado de "Holidays in the sun" dos Sex Pistols, e "I'm OK by myself", em que Morrissey assume uma curiosa resignação em relação à sua crónica solidão ("Now this might surprise you, but I find I'm OK by myself"), põe termo ao álbum com uma correria punk.
Entre as novidades estão também algumas deliciosas bizarrias. "One day goodbye will be farewell" parece um tema dos Smiths vitaminado com direito a sopros "mariachi" no final, enquanto "When last I spoke to Carol" conquista pelo descaramento com que pega no flamenco para fazer um tema fulgurante (e, novamente, há sopros).
"Years of Refusal" balança este lado eufórico com algum território clássico pisado com segurança. É assim em "That's how people grow up" (novamente Morrissey a aceitar as agruras do amor: "I was driving my car/I crashed and broke my spine/So, yes, there are things worse in life than never being someone's sweetie"), "Mama lay softly on the riverbed", com bateria e guitarras a debitar um ritmo quase militarista, e "I'm throwing my arms around Paris", a fabulosa canção de pendor levemente orquestral e dedilhado melancólico de guitarra que foi escolhida para primeiro "single" do disco.
Se "Ringleader of Tormentors" era um disco marcado pelo classicismo, "Years of Refusal" é, por vezes, imperfeito, gloriosamente feio, estranho, qualidades que sublinham o imaginário Morrissey, uma das personagens mais inclassificáveis da pop. A colocar entre os melhores discos de Morrissey a solo, juntamente com "You Are The Quarry" e "Vauxhall and I".
Com temas que bebem da energia do punk rock e bizarrias aqui e ali, o nono álbum de estúdio de Morrissey está entre os seus melhores a solo
A carreira de Morrissey chegou a um ponto em que se avolumam os que vêem nele uma repetição de clichés. Para muitos, já foi atingido o ponto de saturação e Morrissey é hoje uma caricatura. A confusão entre a sua obra e a projecção de um imaginário em torno da sua pessoa, situação que ele estimula desde o tempo dos Smiths, tem este lado perverso, sobretudo quando falamos de uma personagem que regressa constantemente aos mesmos temas. Ora, este estado de coisas é injusto para Morrissey, que nos últimos anos tem operado uma reabilitação estética interessante e que tem neste novo álbum um passo vigoroso.
Miséria, incompreensão e afastamento continuam a ser assuntos abordados, mas o veículo com que canta os temas de sempre é diferente.
Em "Years of Refusal", sucessor de "Ringleader of Tormentors" (2006), encontramos um cantor, nas vésperas de fazer 50 anos, encantado com a energia rock da banda que o acompanha, a lembrar o efeito que a recuperação das raízes rockabilly tiveram em "Your Arsenal" (1992). Tal como em "You Are The Quarry" (2004), o primeiro disco da actual fase dinâmica de Morrissey, a produção coube a Jerry Finn (que morreria em Agosto, depois de produzir o álbum), conhecido pelos trabalhos com bandas pop-punk como Green Day e Offspring.
Logo a abrir, "Something is squeezing my skull" tem ares de canção dos Ramones e, sintomaticamente, dura apenas dois minutos e meio. A toada punk rock casa estranhamente bem com a imagem de "outsider" que guardamos de Morrissey - sorrimos quando ele atira "There is no love in modern life". Não é caso único no disco: em "All you need is me", todo ela guitarras distorcidas e baixo sujo, há até um momento dos "riff" inicial que parece decalcado de "Holidays in the sun" dos Sex Pistols, e "I'm OK by myself", em que Morrissey assume uma curiosa resignação em relação à sua crónica solidão ("Now this might surprise you, but I find I'm OK by myself"), põe termo ao álbum com uma correria punk.
Entre as novidades estão também algumas deliciosas bizarrias. "One day goodbye will be farewell" parece um tema dos Smiths vitaminado com direito a sopros "mariachi" no final, enquanto "When last I spoke to Carol" conquista pelo descaramento com que pega no flamenco para fazer um tema fulgurante (e, novamente, há sopros).
"Years of Refusal" balança este lado eufórico com algum território clássico pisado com segurança. É assim em "That's how people grow up" (novamente Morrissey a aceitar as agruras do amor: "I was driving my car/I crashed and broke my spine/So, yes, there are things worse in life than never being someone's sweetie"), "Mama lay softly on the riverbed", com bateria e guitarras a debitar um ritmo quase militarista, e "I'm throwing my arms around Paris", a fabulosa canção de pendor levemente orquestral e dedilhado melancólico de guitarra que foi escolhida para primeiro "single" do disco.
Se "Ringleader of Tormentors" era um disco marcado pelo classicismo, "Years of Refusal" é, por vezes, imperfeito, gloriosamente feio, estranho, qualidades que sublinham o imaginário Morrissey, uma das personagens mais inclassificáveis da pop. A colocar entre os melhores discos de Morrissey a solo, juntamente com "You Are The Quarry" e "Vauxhall and I".
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Heaven knows i`m miserable now
I was happy in the haze of a drunken hour
but heaven knows I'm miserable now
I was looking for a job, and then I found a job
and heaven knows I'm miserable now
In my life
why do I give valuable time
to people who don't care if I live or die
Two lovers entwined pass me by
and heaven knows I'm miserable now
I was looking for a job, and then I found a job
and heaven knows I'm miserable now
In my life
why do I give valuable time
to people who don't care if I live or die
What she asked of me at the end of the day
Caligula would have blushed
"You've never been in the house too long" she said
and I naturally fled
In my life
why do I smile
at people who I'd much rather kick in the eye
I was happy in the haze of a drunken hour
but heaven knows I'm miserable now
"You've never been in the house too long" she said
and I naturally fled
In my life
why do I give valuable time
to people who don't care if I live or die
but heaven knows I'm miserable now
I was looking for a job, and then I found a job
and heaven knows I'm miserable now
In my life
why do I give valuable time
to people who don't care if I live or die
Two lovers entwined pass me by
and heaven knows I'm miserable now
I was looking for a job, and then I found a job
and heaven knows I'm miserable now
In my life
why do I give valuable time
to people who don't care if I live or die
What she asked of me at the end of the day
Caligula would have blushed
"You've never been in the house too long" she said
and I naturally fled
In my life
why do I smile
at people who I'd much rather kick in the eye
I was happy in the haze of a drunken hour
but heaven knows I'm miserable now
"You've never been in the house too long" she said
and I naturally fled
In my life
why do I give valuable time
to people who don't care if I live or die
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esta semana ando a ouvir ....
Years of Refusal, de Morrissey.
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Músicas da minha vida (6)
Echo and the Bunnymen - Killing Moon
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A Playlist da semana do António Jorge ....
- Carl Hancock Rux -"Apothecary Rx" - este escritor, actor, poeta e músico fez um album onde se transpira rock, jazz e soul com muuuuuiita alma;
- The Byrds -"Younger Than Yesterday" - o primeiro na árvore geneológica do psicadelismo;
- Burnt Friedman - "First Night Forever" - blues, dub, soul, jazz, folk, está cá tudo. Grande disco;
- Burial -"Burial" - condensa tudo o que o dubstep tem de bom.Um album que retrata a essência do "modus vivendi" actual;
- Brigitte Fontaine - "Kekeland" - esta sexagenária francesa faz um grande disco em excelente companhia ( Sonic Youth, Noir Desir);
- Brian Eno/David Byrne -"My life in the bush of ghost" - regresso ao futuro em 1981. Seminal;
- Bob dylan - "John Wesley Harding" - lembram-se de "All Along the Watchtower", está neste album. Foi também aqui que os Judas Priest vieram buscar o seu nome;
- Benga - "Diary of a Afro Warrior" - novamente o dubstep, que é no fundo uma mistura de dub, UK-garage e two-step. Um album fantástico.Um dos melhores de 2008.
- The Byrds -"Younger Than Yesterday" - o primeiro na árvore geneológica do psicadelismo;
- Burnt Friedman - "First Night Forever" - blues, dub, soul, jazz, folk, está cá tudo. Grande disco;
- Burial -"Burial" - condensa tudo o que o dubstep tem de bom.Um album que retrata a essência do "modus vivendi" actual;
- Brigitte Fontaine - "Kekeland" - esta sexagenária francesa faz um grande disco em excelente companhia ( Sonic Youth, Noir Desir);
- Brian Eno/David Byrne -"My life in the bush of ghost" - regresso ao futuro em 1981. Seminal;
- Bob dylan - "John Wesley Harding" - lembram-se de "All Along the Watchtower", está neste album. Foi também aqui que os Judas Priest vieram buscar o seu nome;
- Benga - "Diary of a Afro Warrior" - novamente o dubstep, que é no fundo uma mistura de dub, UK-garage e two-step. Um album fantástico.Um dos melhores de 2008.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Amanhã é dia de Live Forever ...
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Músicas da minha vida (5)
Joy Division - Love will tear us apart
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Músicas da minha vida (3)
Real Around the Fountain - The Smiths
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Para ti António (Tó Jorge)
O meu amigo e fiel António todas as semanas, responde aos posts deste blog com as suas preferências semanais musicais.
Assim sendo, publicarei aqui no meu blog de seguida as preferências musicais do Tó Jorge.
Escreve António, eu publico.
Assim sendo, publicarei aqui no meu blog de seguida as preferências musicais do Tó Jorge.
Escreve António, eu publico.
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As músicas do Tó Jorge
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Uma das músicas da minha vida ........
Flores - Titãs - Acústico MTV (Participação Marisa Monte)
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
The Killers - FINALMENTE!!!!!!!!!!!!!!!!!!

A maior banda do mundo na actualidade (só para chatear o ToJorge) vem a Portugal.
18 de Julho - Estádio do Restelo
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terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Teus olhos
Olhos do meu Amor! Infantes loiros
Que trazem os meus presos, endoidados!
Neles deixei, um dia, os meus tesoiros:
Meus anéis, minhas rendas, meus brocados.
Neles ficaram meus palácios moiros,
Meus carros de combate, destroçados,
Os meus diamantes, todos os meus oiros
Que trouxe d'Além-Mundos ignorados!
Olhos do meu Amor! Fontes... cisternas...
Enigmáticas campas medievais...
Jardins de Espanha... catedrais eternas...
Berço vindo do Céu à minha porta...
Ó meu leito de núpcias irreais!...
Meu sumptuoso túmulo de morta!...
Florbela Espanca
Que trazem os meus presos, endoidados!
Neles deixei, um dia, os meus tesoiros:
Meus anéis, minhas rendas, meus brocados.
Neles ficaram meus palácios moiros,
Meus carros de combate, destroçados,
Os meus diamantes, todos os meus oiros
Que trouxe d'Além-Mundos ignorados!
Olhos do meu Amor! Fontes... cisternas...
Enigmáticas campas medievais...
Jardins de Espanha... catedrais eternas...
Berço vindo do Céu à minha porta...
Ó meu leito de núpcias irreais!...
Meu sumptuoso túmulo de morta!...
Florbela Espanca
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Florbela Espanca
A miséria do meu ser
A miséria do meu ser,
Do ser que tenho a viver,
Tornou-se uma coisa vista.
Sou nesta vida um qualquer
Que roda fora da pista.
Ninguém conhece quem sou
Nem eu mesmo me conheço
E, se me conheço, esqueço,
Porque não vivo onde estou.
Rodo, e o meu rodar apresso.
É uma carreira invisível,
Salvo onde caio e sou visto,
Porque cair é sensível
Pelo ruído imprevisto...
Sou assim. Mas isto é crível?
Fernando Pessoa
Do ser que tenho a viver,
Tornou-se uma coisa vista.
Sou nesta vida um qualquer
Que roda fora da pista.
Ninguém conhece quem sou
Nem eu mesmo me conheço
E, se me conheço, esqueço,
Porque não vivo onde estou.
Rodo, e o meu rodar apresso.
É uma carreira invisível,
Salvo onde caio e sou visto,
Porque cair é sensível
Pelo ruído imprevisto...
Sou assim. Mas isto é crível?
Fernando Pessoa
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Fernando Pessoa
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
O que se espera em 2009 ..............
Estamos à espera de um ano difícil. Todos os dias alguém nos diz isso mesmo. Aqui, e noutros cantos do mundo.O efeito "Obama" já foi e ele ainda nem sequer chegou.
Aliás, se o novo plano económico dos EUA não for aprovado, vai ser o caos segundo a equipa de Obama. Ou seja, isto está muito mau. Dizem eles.
Hoje o nosso PM dá uma entrevista na TV. Já não acredito nos nossos políticos.
A sério. Estou cansado de os ouvir. Os outros também não tenho muita paciência.
Agora está na altura de meter as mãos no fogo e de levar o barco em frente.
Para a frente é que é caminho.
2009 pode também ser um ano de oportunidades. Novas ou mesmo velhas (ou gastas).
Basta querer e acreditar.
Parece no entanto que a maioria dos líderes e dirigentes deste planeta deseja que ainda seja pior do que já foi.
Está na hora de fazer qualquer coisa. Tenho uns amigos que pensam fazer um movimento de cidadãos. Porque não?
Podíamos pensar nisso a sério. Mesmo a sério. Vamos?
Aliás, se o novo plano económico dos EUA não for aprovado, vai ser o caos segundo a equipa de Obama. Ou seja, isto está muito mau. Dizem eles.
Hoje o nosso PM dá uma entrevista na TV. Já não acredito nos nossos políticos.
A sério. Estou cansado de os ouvir. Os outros também não tenho muita paciência.
Agora está na altura de meter as mãos no fogo e de levar o barco em frente.
Para a frente é que é caminho.
2009 pode também ser um ano de oportunidades. Novas ou mesmo velhas (ou gastas).
Basta querer e acreditar.
Parece no entanto que a maioria dos líderes e dirigentes deste planeta deseja que ainda seja pior do que já foi.
Está na hora de fazer qualquer coisa. Tenho uns amigos que pensam fazer um movimento de cidadãos. Porque não?
Podíamos pensar nisso a sério. Mesmo a sério. Vamos?
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Monteiro 2009,
Novo Projecto
2009 - O ano de todos os perigos - Crónica de Miguel Sousa Tavares no Jornal Expresso de 3 de Janeiro de 2009
Os fins de ano servem para balanços e tentações de mudança, as crises servem para os corajosos crescerem e os fracos se afundarem. 2008 foi um mau ano, o ano em que a crise chegou, mais uma vez matando as esperanças nascentes de um futuro próximo de paz e de crescimento. 2009 é o ano em que, sem subterfúgios, vai ser preciso pegar o mal de frente, reagir ou ser arrastado sem remissão.
Estamos, miseravelmente, à mercê de outros: não dependemos só de nós para resistir com êxito. Esta é uma má base de partida, mas pior ainda, aquilo que acentua o meu pessimismo, é constatar que, no que depende de nós, estamos longe, longíssimo, de dar sinais que entendemos: que entendemos o que aí vem e que entendemos o que é necessário fazer. Obcecado com o desemprego - que, de facto, a explodir, mergulhará o país no caos social - Sócrates lançou-se, sem hesitar, num programa de obras públicas, cuja grande maioria, não tendo o combate ao desemprego como justificação, seria simplesmente perdulária e absolutamente inútil - como o será no futuro, passada a urgência. Não precisamos de mais auto-estradas para um Interior cada vez mais despovoado por ausência de verdadeiras políticas de ocupação do território; não precisamos de um TGV para Madrid que já todos sabem que terá uma exploração deficitária; e, como eu sempre disse, está à vista que, pelo menos nos tempos mais próximos, não precisamos de um novo aeroporto em Lisboa, quando a ANA anda desesperadamente a fazer saldos de slots para atrair companhias low-cost para a Portela. Mas, não havendo tempo ou coragem para outra coisa, venham daí as obras públicas e o dinheiro dos contribuintes!
O mesmo desconhecimento do que aí vem e a mesma falta de tempo para pensar friamente, levou Sócrates e Teixeira dos Santos a atravessarem-se em auxílio de bancos de vão de escada, cuja simples certidão de óbito seria mais salutar e mais económica. A ânsia de acorrer com dinheiros ou avales públicos a todos os lugares onde há fogo, não deve, todavia, enganar-nos: o país não descobriu subitamente petróleo e alguém há-de ter de pagar a factura. Já somos um país alarmantemente endividado e as dívidas pagam-se com impostos e com o sacrifício das gerações seguintes. Não sei se um bom pai não deve começar a preparar os filhos para emigrarem, quando chegarem à idade de entrar no mercado de trabalho. Assim, quando vierem de visita à pátria, poderão usufruir dos aeroportos, TGV e auto-estradas, sem terem de se matar a trabalhar para as pagar.
Mas isso é apenas uma das coisas que nos devem preocupar e, se calhar, nem é agora a principal. Mais importante do que os erros eventualmente cometidos hoje sob pressão dos acontecimentos, é a sensação de que, milhões e milhões gastos a tentar manter-nos apenas à tona de água, não se traduzirão em nenhuma mudança essencial, que nos garanta a viabilidade do país, uma vez ultrapassada a crise mundial. Este tem sido, indiscutivelmente, o Governo que mais tentou reformar o que precisava de ser reformado, mexer nos famosos 'direitos adquiridos' das corporações que vegetam à custa do Estado e que são o factor primeiro para o nosso eterno subdesenvolvimento. Sócrates tem esse mérito, o mérito de o ter tentado, sozinho e contra todos. Mas, assim, não podia vencer e não venceu.
Vieira da Silva, talvez o melhor ministro deste Governo, conseguiu levar a cabo provavelmente a única reforma conseguida e essencial: a do financiamento da Segurança Social, que evitou que, num horizonte de não mais do que dez ou quinze anos, não houvesse dinheiro para pagar pensões a ninguém. Mas falhou na ténue revisão da legislação laboral, que os sindicatos e o PCP combateram por todas as formas. Agora, por exemplo, o Tribunal Constitucional veio declarar a inconstitucionalidade da norma que previa o alargamento do período experimental de 90 para 180 dias, antes da passagem de um trabalhador a efectivo. Orgulhosamente, o TC defendeu os princípios do "direito ao trabalho" e da "segurança laboral", tão caros à nossa patética Constituição. Magnífico! E saberão os excelentíssimos juízes quais serão as consequências disso, num momento em que, no mundo inteiro, as empresas despedem e fecham, porque a economia estagnou e não há trocas nem o dinheiro circula? As consequências é que haverá ainda menos empresas a admitir trabalhadores ou, as que o fizerem, findo o período de 90 dias, despedem-nos ou passam-nos a recibo verde - sem direito a Segurança Social, férias, pagamento de horas extraordinárias ou quaisquer outras regalias de que beneficiam os privilegiados que, como os juízes, têm emprego certo e garantido para toda a vida e salários pagos religiosamente no final de cada mês.
Oiço também Manuel Carvalho da Silva (que tenho por pessoa séria e preparada) anunciar um ano de luta dos "trabalhadores" em defesa do aumento de salários e pensões, porque, sem isso, diz ele, a crise não será ultrapassada. Ora, ele não ignora que, com isso, é que a crise explodirá, com mais e mais empresas a falirem e mais e mais trabalhadores e famílias lançadas para o desemprego. E quando se sabe que este ano, e em resultado da crise, não há inflação a comer salários - pelo contrário, o perigo é a deflação e o desemprego - a sua proposta só pode visar uma política de terra queimada. Não por acaso, em ano de eleições.
A política de reformas e a própria necessidade de cerrar fileiras para enfrentar os tempos difíceis que aí vêm encontram pela frente uma grandiosa e organizada resistência de vários interesses contraditórios confluentes: a cartilha leninista do PCP, seguida à letra pelos sindicatos que lhe prestam obediência, num quadro político que hoje é verdadeiramente terceiro-mundista; a resistência tenaz de todas e cada uma das corporações em aceitar abrir mão de privilégios imorais e insustentáveis para o país; a cumplicidade activa de um corpo judicial que ignora como funciona o país real e que protege das reformas tentadas todas as outras corporações, com receio de que finalmente chegue a sua vez; a atitude acrítica de muita imprensa que adora a rua e o conflito como fonte de notícia e a quem os sindicatos e as corporações servem prestimosamente variadíssimas photo-oportunities e motivos de primeira página; e, enfim, a absoluta falta de sentido de Estado das oposições e, em particular, do PSD, que não resistem à mentalidade de que quanto mais complicada for a vida do governo melhor é para eles. Todos partilham da crença suicida de que pior do que tudo é o país poder tornar-se governável e alterarem-se coisa que são um adquirido nacional: termos a saúde mais cara do mundo, o maior e mais inútil desperdício de dinheiros públicos numa Educação que não funciona, uma Justiça que se arrasta em autocontemplação incapaz de cumprir o essencial daquilo que justifica a sua existência, uma produtividade laboral que é sistematicamente das mais baixas da Europa e que parece querer assim justificar uma economia com lugar para salários indecentes e livres tropelias do capital.
Numa notável entrevista ao último número do "Sol", Eduardo Barroso explica de forma arrasadora como é que as reformas tentadas pelo ex-ministro da Saúde, Correia de Campos, eram essenciais para melhorar o serviço e conter gastos. E como é que elas foram derrotas "por pressão da rua e da imprensa". O mesmo destino terão grande parte das reformas tentadas por Maria de Lurdes Rodrigues na Educação. Não porque não tenha razão, mas precisamente porque a tem. Mas isso é o pior que pode acontecer a alguém em Portugal: ter razão contra os interesses instalados.
Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 3 de Janeiro 2009
Estamos, miseravelmente, à mercê de outros: não dependemos só de nós para resistir com êxito. Esta é uma má base de partida, mas pior ainda, aquilo que acentua o meu pessimismo, é constatar que, no que depende de nós, estamos longe, longíssimo, de dar sinais que entendemos: que entendemos o que aí vem e que entendemos o que é necessário fazer. Obcecado com o desemprego - que, de facto, a explodir, mergulhará o país no caos social - Sócrates lançou-se, sem hesitar, num programa de obras públicas, cuja grande maioria, não tendo o combate ao desemprego como justificação, seria simplesmente perdulária e absolutamente inútil - como o será no futuro, passada a urgência. Não precisamos de mais auto-estradas para um Interior cada vez mais despovoado por ausência de verdadeiras políticas de ocupação do território; não precisamos de um TGV para Madrid que já todos sabem que terá uma exploração deficitária; e, como eu sempre disse, está à vista que, pelo menos nos tempos mais próximos, não precisamos de um novo aeroporto em Lisboa, quando a ANA anda desesperadamente a fazer saldos de slots para atrair companhias low-cost para a Portela. Mas, não havendo tempo ou coragem para outra coisa, venham daí as obras públicas e o dinheiro dos contribuintes!
O mesmo desconhecimento do que aí vem e a mesma falta de tempo para pensar friamente, levou Sócrates e Teixeira dos Santos a atravessarem-se em auxílio de bancos de vão de escada, cuja simples certidão de óbito seria mais salutar e mais económica. A ânsia de acorrer com dinheiros ou avales públicos a todos os lugares onde há fogo, não deve, todavia, enganar-nos: o país não descobriu subitamente petróleo e alguém há-de ter de pagar a factura. Já somos um país alarmantemente endividado e as dívidas pagam-se com impostos e com o sacrifício das gerações seguintes. Não sei se um bom pai não deve começar a preparar os filhos para emigrarem, quando chegarem à idade de entrar no mercado de trabalho. Assim, quando vierem de visita à pátria, poderão usufruir dos aeroportos, TGV e auto-estradas, sem terem de se matar a trabalhar para as pagar.
Mas isso é apenas uma das coisas que nos devem preocupar e, se calhar, nem é agora a principal. Mais importante do que os erros eventualmente cometidos hoje sob pressão dos acontecimentos, é a sensação de que, milhões e milhões gastos a tentar manter-nos apenas à tona de água, não se traduzirão em nenhuma mudança essencial, que nos garanta a viabilidade do país, uma vez ultrapassada a crise mundial. Este tem sido, indiscutivelmente, o Governo que mais tentou reformar o que precisava de ser reformado, mexer nos famosos 'direitos adquiridos' das corporações que vegetam à custa do Estado e que são o factor primeiro para o nosso eterno subdesenvolvimento. Sócrates tem esse mérito, o mérito de o ter tentado, sozinho e contra todos. Mas, assim, não podia vencer e não venceu.
Vieira da Silva, talvez o melhor ministro deste Governo, conseguiu levar a cabo provavelmente a única reforma conseguida e essencial: a do financiamento da Segurança Social, que evitou que, num horizonte de não mais do que dez ou quinze anos, não houvesse dinheiro para pagar pensões a ninguém. Mas falhou na ténue revisão da legislação laboral, que os sindicatos e o PCP combateram por todas as formas. Agora, por exemplo, o Tribunal Constitucional veio declarar a inconstitucionalidade da norma que previa o alargamento do período experimental de 90 para 180 dias, antes da passagem de um trabalhador a efectivo. Orgulhosamente, o TC defendeu os princípios do "direito ao trabalho" e da "segurança laboral", tão caros à nossa patética Constituição. Magnífico! E saberão os excelentíssimos juízes quais serão as consequências disso, num momento em que, no mundo inteiro, as empresas despedem e fecham, porque a economia estagnou e não há trocas nem o dinheiro circula? As consequências é que haverá ainda menos empresas a admitir trabalhadores ou, as que o fizerem, findo o período de 90 dias, despedem-nos ou passam-nos a recibo verde - sem direito a Segurança Social, férias, pagamento de horas extraordinárias ou quaisquer outras regalias de que beneficiam os privilegiados que, como os juízes, têm emprego certo e garantido para toda a vida e salários pagos religiosamente no final de cada mês.
Oiço também Manuel Carvalho da Silva (que tenho por pessoa séria e preparada) anunciar um ano de luta dos "trabalhadores" em defesa do aumento de salários e pensões, porque, sem isso, diz ele, a crise não será ultrapassada. Ora, ele não ignora que, com isso, é que a crise explodirá, com mais e mais empresas a falirem e mais e mais trabalhadores e famílias lançadas para o desemprego. E quando se sabe que este ano, e em resultado da crise, não há inflação a comer salários - pelo contrário, o perigo é a deflação e o desemprego - a sua proposta só pode visar uma política de terra queimada. Não por acaso, em ano de eleições.
A política de reformas e a própria necessidade de cerrar fileiras para enfrentar os tempos difíceis que aí vêm encontram pela frente uma grandiosa e organizada resistência de vários interesses contraditórios confluentes: a cartilha leninista do PCP, seguida à letra pelos sindicatos que lhe prestam obediência, num quadro político que hoje é verdadeiramente terceiro-mundista; a resistência tenaz de todas e cada uma das corporações em aceitar abrir mão de privilégios imorais e insustentáveis para o país; a cumplicidade activa de um corpo judicial que ignora como funciona o país real e que protege das reformas tentadas todas as outras corporações, com receio de que finalmente chegue a sua vez; a atitude acrítica de muita imprensa que adora a rua e o conflito como fonte de notícia e a quem os sindicatos e as corporações servem prestimosamente variadíssimas photo-oportunities e motivos de primeira página; e, enfim, a absoluta falta de sentido de Estado das oposições e, em particular, do PSD, que não resistem à mentalidade de que quanto mais complicada for a vida do governo melhor é para eles. Todos partilham da crença suicida de que pior do que tudo é o país poder tornar-se governável e alterarem-se coisa que são um adquirido nacional: termos a saúde mais cara do mundo, o maior e mais inútil desperdício de dinheiros públicos numa Educação que não funciona, uma Justiça que se arrasta em autocontemplação incapaz de cumprir o essencial daquilo que justifica a sua existência, uma produtividade laboral que é sistematicamente das mais baixas da Europa e que parece querer assim justificar uma economia com lugar para salários indecentes e livres tropelias do capital.
Numa notável entrevista ao último número do "Sol", Eduardo Barroso explica de forma arrasadora como é que as reformas tentadas pelo ex-ministro da Saúde, Correia de Campos, eram essenciais para melhorar o serviço e conter gastos. E como é que elas foram derrotas "por pressão da rua e da imprensa". O mesmo destino terão grande parte das reformas tentadas por Maria de Lurdes Rodrigues na Educação. Não porque não tenha razão, mas precisamente porque a tem. Mas isso é o pior que pode acontecer a alguém em Portugal: ter razão contra os interesses instalados.
Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 3 de Janeiro 2009
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Miguel Sousa Tavares
Eu

Até agora eu não me conhecia.
Julgava que era Eu e eu não era
Aquela que em meus versos descrevera
Tão clara como a fonte e como o dia.
Mas que eu não era eu não o sabia
E, mesmo que o soubesse, não o dissera...
Olhos fitos em rútila quimera
Andava atrás de mim... e não me via!
Andava a procurar-me - pobre louca! -
E achei o meu olhar no teu olhar,
E a minha boca sobre a tua boca!
E esta ânsia de viver, que nada acalma,
É a chama da tua alma a esbrasear
As apagadas cinzas da minha alma!
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Florbela Espanca
Adeus 2008
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